Tema criado por Cory Watilo

Tem a ver com: Livros

Troca

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Volta e meia o tema aparece.
Um leit-motif da minha vida, talvez: trocas, intercâmbios, escambos, empréstimos, dádivas, presentes, mimos, entregas, perdas, perdões, doações...

Tudo muito semelhante.
Mas, se existe uma palavra para cada ato, é possível que sejam sempre coisas semelhantemente diferentes, né?

(Quando a semelhança está na referência, e a diferença no sentido, sabe?)

Daí que recebi um livro emprestado.
E lá estava o texto, fruto da necessidade de explicar ao leitor o título da coleção: Mimo

Um mimo é um dom. Uma dádiva. Um agrado. Uma graça. Um mimo não é nada. Mas pode ser muito. Não tem cálculo. Nem intento. Não é pensado. E, contudo: escolhido a dedo. Um mimo é generoso, gentil, delicado. Uma jóia rara. (Mas não cara). Pra alguém que faz anos. Ou sofreu desenganos. Mas também a pretexto de nada. Simplesmente porque você gostou. E lembrou de alguém que gostaria. Porque você botou o olho e pensou: é isso! Um mimo não é um objeto de desejo. Porque não é pra si. É pra outrem. E não é pra ostentar. É pra dar. Discretamente. Na cumplicidade de uma amizade. Ou na clandestinidade de um amor. Não é pra guardar como um tesouro. Porque não é pra dentro, mas pra fora. E não é da ordem da usura, mas da generosidade. É gratuito. Não espera nada em troca. Mas sem que você saiba, acaba depositado. No fundo perdido do dom universal. Até que um dia, do nada, quando menos esperava, você recebe um. E o circuito se completa, mas também recomeça. E a lei do mimo se cumpriu. Quem mima mimado será.

Por Tomaz Tadeu

E minha boca esboçou um sorriso maroto: será que estava o mundo tentando me mimar, me ensinar sobre a troca, me fazer receber o agrado?

Mas outro evento me consternou.
Conexões íntimas - quase promíscuas - fazem saltar aos olhos aquilo que sempre esteve lá (como um acontecimento), mas que só agora aparece, desvelado, quase nu.
Não é como se o Rei estivesse, de repente, despido, louco. É como se tivessem aberto a porta da casa de swing...

Num restaurante homônimo em São Paulo me sento e vejo no despretensioso papel-toalha que cobre a mesa - e que será rasgado em seguida, para guardar a recordação daquele encontro, daquela troca, daquele Escambo:

Que não seja apenas transferência mútua, barganha ou permuta
Que seja vivência, experiência,
Brilho no olhar, risada solta, aconchego, cheiro de chuva, lembrança muda
Conversa e aperto de mão, suspiro e diversão
Que seja escambo, que ultrapasse a troca
Que seja intercâmbio que não pare de girar
Que voe com o vento aonde tiver de chegar.

por Bruno Corrêa

E destaco o texto, porque foi o decalque que apareceu pra mim. Não um recalque, diga-se!

Assim, se a vida é texto, resolvo passar um marcador nos acontecimentos importantes: pra não me esquecer (Quem sabe não leio depois?); pra usar como referência (De onde tiramos nossas palavras-repetidas?); pra enviar para outras pessoas (Na vida-texto as palavras são conexões?).

Crédito da imagem: Orlando Pedroso

Chá

Ritualizar os acontecimentos é uma forma de celebrar a vida.

Celebrar a vida é uma forma de manter-se aberto para o que vem, honrando o caminho percorrido e a contingência da caminhada.

Honrar o que passou é uma forma de conexão com o muito que há, firmando o passo nas pegadas de todos os que já passaram por aqui.

E há muitas formas de se fazer isso tudo. E, embora haja atalhos, não há um caminho fácil e curto.

Ou o caminho é fácil - e será longo; e se for longo, será entrecortado de momentos difíceis.

Ou o caminho é curto - e será duro; e se for fácil, restará a sensação de não ter chegado até o fim.

Como ouvi uma vez, no longo caminho duro de um Sesshin:

A dor não é necessária. Mas ensina.

Ontem aprendi muito. Menos do que preciso, o quanto eu consigo, e ainda talvez mais do que eu posso.

E ontem também celebrei muito.

Celebrei os batuques que dão ritmo ao meu corpo e ao meu pensamento. E aprendi que quando a mente está nas nuvens é preciso conseguir manter o ritmo, é preciso ter pés firmes pra pousar, é preciso ter terra firme para me receber e descansar.

Celebrei as cores que não vejo e que podem colorir minhas noites. Porque, ao não vê-las, torno-me mais cinza, mais soturno, menos vivo. Então, ontem aprendi que a noite também é colorida quando celebramos a noite; que o fogo é colorido quando celebramos o fogo; que a vida nem sempre é cinza e soturna, porque é viva.

Celebrei a Lua que sempre me acompanha e me guia. Lembrei-me de que, para os astrólogos, é a Lua o astro que guia o amor em minha vida: tenho um amor lunar; sou feito em fase. E aprendi, mesmo sem entender, que esta é minha parcela feminina que ainda precisa se harmonizar com o mundo feminino da qual ela parece ter sido banida. Se um amor lunar fere ciclicamente por abandono, talvez ele também possa curar reincidentemente. Preciso me lembrar que a Lua, cheia ou nova, sempre está lá no céu, mesmo durante o dia.

Celebrei o medo, e também a força que sempre lhe acompanha. A aprendi que, se não posso controlar - o medo e a força - posso tentar guiá-los nos labirintos do lá-de-dentro. Aprendi que não preciso agir sempre pelo estômago, que expele violência ao menor sinal de medo. Caminhar pode ser um bom exercício para afastar o medo; não correr (dele), mas caminhar (nele).

Celebrei o acolhimento que um lugar quente e protegido pode proporcionar. E fiz de um cobertor minha morada, provisória. E aprendi que, sendo provisória, é ainda mais importante. Quando tive medo, caminhei; quando tive frio, me cobri; quando tive calor, me abri; quando tive sono, sentei e sonhei; quando acordei, celebrei.

Celebrei o vivido, quando o vivido estava ocorrendo. Porque, ao passar, ao deixar de ser uma paisagem do pensamento, percebi que do muito que eu acabara de viver restara quase nada na memória. E celebrei a calma e a prudência com que a memória escolhe os caminhos e as paisagens que permanecem. A memória ensina a impermanência.

Mas o aprendizado de que falo aqui não é cognitivo. É só perceptivo, como uma impressão quase borrada na folha fina da memória imaginativa.
Afinal, tanto quanto um sonho, um chá é só um atalho. E tanto quanto qualquer atalho, o chá é só um expansor de caminhos - resta escolher entre os curtos caminhos duros ou os longos caminhos fáceis.

A vida começa quando a gente acorda e pode olhar para si e para o mundo, para tentar fazer do longo caminho um caminho um pouco mais fácil, e certamente mais vivo.


Deixo duas "dicas", pra quem quiser entrar no clima do chá.

Oxalá, música do grupo português Madredeus.

Cap. 24 do livro "Uma Vida Inventada", da Maitê Proença.

(download)

Nostalgia

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A nostalgia é um sofrimento frágil e suave, essencialmente diverso, mais íntimo, mais humano do que as outras dores que havíamos suportado até então: frio, golpes, fome, terror, doença, privação. É uma dor límpida e clara, mas urgente: invade todos os minutos do dia, não concede outros pensamentos, e nos incita às evasões.

Assim Primo Levi descreve a nostalgia em A Trégua, belo livro em que ele fala dos tempos em que ficou preso em Auschwitz e, com o fim da guerra, perambulou "livre" pela Europa Central, sem destino certo, até poder voltar para Turim, na Itália, sua terra natal.

Tenho notado que 2011 parece ser, para diversas pessoas, um ano nostalgico; de balanços, revisitas, rememórias, recomeços. É, para bem dizer, o encerramento de uma década. E, falam as más e as boas línguas, está sendo a passagem para o fatídico ano de 2012, que tanto presume o fim do mundo quanto a entrada em uma nova Era.

Eu, que não sou dado às nostalgias, tenho me defrontado com algumas atividades que me fizeram revisitar tempos passados, seja para fechar ciclos, seja para me reconciliar com eles. Pude olhar recentemente para esta década e acompanhar partes da minha trajetória, como esforço para preparar uma cronologia de 10 anos da Rede Nacional de Jovens Líderes, que ajudei a começar no ano de 2001. E, para minha surpresa, foi sem nostalgia que pude perceber o difícil e o prazeroso que foi este tempo de boas e grandes realizações.

A nostalgia não parece ser uma saudade. E como poderia ser, se nos orgulhamos de haver "inventado" a palavra "saudade", para a qual insistimos que não há correlatos exatos em outras línguas?

A nostalgia não parece ser o desejo de retorno ao que passou, porque não raro vem acompanhada de sofrimento, mesmo que seja um humano e doce sofrimento, como diz Primo Levi. É um deslocamento, e sempre "para fora de casa".

A nostalgia não parece prestar-se à reconciliação com o que se passou, com o estranhamento que a mudança constante do mundo e dos outros indubitavelmente causa. Como disse Hannah Arendt,

toda pessoa necessita reconciliar-se com um mundo em que nasceu como estranho e no qual permanecerá sempre um estranho, em sua inconfundível singularidade. (em A dignidade da política, 1993. p. 39)

Mas a nostalgia não se presta a essa reconciliação, pois não permite que os homens se sintam, no tempo presente, "em casa no mundo" (como menciona Arendt em Origens do Totalitarismo, 1989. p. 52). E, se não vale por isso, tampouco poderia valer para ajudar-nos com atualização da compreensão do mundo, que

não significa negar o ultrajante, subtrair o inaudito do que tem precedentes, ou explicar fenômenos por meio de analogias e generalidades que diminuam o impacto da realidade e o choque da experiência. Significa antes examinar e suportar conscientemente o fardo que os acontecimentos colocaram sobre nós [...]. Compreender significa, em suma, encarar a realidade, espontânea e atentamente, e resistir a ela – qualquer que seja, venha a ser ou possa ter sido. (Hannah Arendt, em Origens do Totalitarismo, 1989. p. 21)

Alegoricamente, como menciona Walter Benjamin em sua Tese 9, o passado é aquilo que, ao contrário do que sustenta o senso comum, está diante de nós porque por nós pode ser visto e lembrado, quase sempre como ruínas.
O futuro, por sua vez, seria aquilo que viria de trás, como uma tempestade que está sempre às nossas costas; impossível de prever, mas forte e instigante o suficiente para nos levar adiante.
Então, a nostalgia poderia ser descrita como um "tapa-olho" (aquela espécie de viseira que permite que se enxergue somente para frente); não impede o progresso, mas dificulta que se observe o caminho e impede que se veja os que tombaram a nosso lado.

A nostalgia surge do interesse humano em partilhar empaticamente de sua história que, no entanto, é sempre contada a partir da perspectiva dos vencedores: e quem não quer ser um vencedor em sua própria história? Mas, como alertou Benjamin, em sua Tese 7:

a empatia com o vencedor beneficia sempre, portanto, esses dominadores. (em Teses sobre o conceito da história, 1940.)

De quê serve então este sentimento tão avassalador quanto inútil e evasivo, tão frágil quanto dominador, tão suave quanto pungente; que vem não se sabe de onde e ao qual não se pode humanamente resistir?

Swaraj

Os últimos posts acabaram envolvendo a questão "indivíduo vs. coletivo" de algum modo. E me parece realmente uma questão intrigante.

E, como exercício de serendipidade, hoje me dei o prazer de transcrever e traduzir um vídeo que me chegou pelo link tuitado pelo Augusto.

O vídeo é a gravação de uma fala de 1 minuto e meio em que Manish Jain - um indiano co-fundador da Shikshantar em Udaipur, a cidade mais rica da Índia - apresenta sua visão sobre a noção de Gandhi para o "Swaraj" (autogoverno ou autonomia), que honra a relação entre individualidade e o coletivo. Bom pra seguir na reflexão...

Segue a transcrição do vídeo:

The idea of Swaraj grows out of the Indian freedom struggle. It's a term Gandhi had coined in his book "Hind Swaraj" (Hindi Swaraj or Indian Home Rule).
Swaraj means "swa" - it's two parts: "swa" and "raj" - so "swa" means "self" and it has a very beautiful acknowledgement of the duality our being. So, a individual, unique, beautiful self. As well as our interconnected self, our collective self. Our self which is embodied in the trees, and in the soil, and in the water, in each other, and in the butterflies, and in all the wonderful beings on the planet.
And "raj" means "rule over", also with connotations of "awareness", "self-awareness", of "self-mastery", and of a kind of a radiance of self, that exist.
When Gandhi talked about Swaraj he also talked about his vision of the dominant system we live in as a dying system, and the need to actually start to - as part of, very much part of the freedom struggle - is to start the movement to create new systems in the world.
And hands are quest for Swaraj.

 

O vídeo:

Manish Jain on Swaraj from Deborah Frieze on Vimeo.

E a tradução:

A idéia de Swaraj surge da luta pela liberdade na Índia. É um termo cunhado por Gandhi em seu livro "Hindi Swaraj" (Hind Swaraj: Autogoverno da Índia).
Swaraj significa "swa" - a palavra é dividida em duas partes: "swa" e "raj" - assim "swa" significa "eu" e dá um reconhecimento muito bonito à dualidade nosso ser: então, é o "self" individual, único e belo, bem como nosso "self" interligado, nosso ser coletivo. Nosso ser que está incorporado nas árvores e no solo e na água, no outro, e nas borboletas, e em todos os seres maravilhosos do planeta.
E "raj" significa "governar", também com conotações de "consciência", "auto-consciência", de "auto-domínio", e de uma espécie de brilho do "self", que existe.
Quando Gandhi falou sobre Swaraj ele também falou sobre sua visão do sistema dominante em que vivemos como um sistema moribundo, e a necessidade de realmente começar a - como parte da, como uma parte muito importante, da luta pela liberdade - iniciar o movimento para criar novos sistemas no mundo.
E as mãos são uma busca por Swaraj (ou "E as mão estão em busca de Swaraj").

E com o que mais isso se parece?
Quem mais fala sobre isso, assim?

Por vários motivos, me lembrou a abordagem de Heidegger sobre o "Dasein" (ser-aí) como um "ser-com" ou um "ser-no-mundo" e também a ideia de Foucault sobre o "cuidado de si". Mas isso é tema pra um outro post, talvez...

Individualismo

O individualismo é uma doença.
E, se não for uma doença, é só uma ideologia ou uma religião. Degenerativo, pois dogmático, igualmente.

E quem diz isso é o próprio sufixo -ismo, apoiado pelos gramáticos e filólogos.

Todo individualismo é machista (e todo machismo é individualista): vive à sombra do patriarcado e naturaliza-se neste sistema.

Como lidar, então, com abordagens que enfocam o "poder do indivíduo" sem considerarem uma necessária reconciliação com o coletivo?

A constante afirmação do poder do indivíduo - e, em particular, de seu poder de alterar o mundo na mudança de si mesmo - tangencia pensamentos que vão desde Gandhi - "Seja a mudança que quer ver no mundo" - até os de um psicanalista junguiano como Hollis, que acredita que "a mudança suprema ocorra por meio do indivíduo" e que "a ação do grupo  não pode ser mais eficaz do que a soma das consciências individuais que chegam até ele".

Afinal, num mundo ainda tão masculinista, a grande "sombra de Saturno"(ou Cronos) - que é a mancha presente do patriarcado - mantém-se como um fardo que se deve carregar conscientemente, como indica Hollis.
E, ao que tudo indica, o valor de que se deve carrega-lo enquanto indivíduo parece ser absoluto, resoluto e inquestionável, mesmo que estejamos em grupo, mesmo que convivamos sempre com um coletivo, mesmo que sejamos, fundamentalmente, sociais e interdependentes.

O que muda, então?
Alteramos os sintomas visíveis, mas a doença ainda está instalada.

Um adendo: a individualidade, diferentemente do individualismo, é uma propriedade ou uma potência do indivíduo de, justamente, individuar-se ("tornar-se quem se é", como disse Clarice). E, sendo assim, é uma experiência e uma aprendizagem cuja finalidade é o seu próprio exercício, sempre intrinsecamente relacional (pois vive-se a individualidade "com" e experimenta-se "entre" outros). Mas isso é tema pra outro post...

*curiosidade: O tema de Saturno está relacionado, segundo Freud, com a melancolia e com a destruição, temas que já abordei aqui (por puro acaso?).

**serviço: O livro de James Hollis se chama "Sob a sombra de Saturno: a ferida e a cura dos homens" e pode ser encontrado aqui (en) e aqui (pt-br). Os trechos citados estão nas pp. 35-36 da edição em pt-br.

Impulsivo

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Nunca fui fã de Clarice. Bem ao contrário, aliás...

Das noites obrigatoriamente passadas com G.H., das horas tentando desatar os Laços de Família, dos desgastes com A Hora da Estrela... no fim, nunca estive mesmo Perto do Coração Selvagem de Clarice.

Até que me surgiu a oportunidade de revisitar Clarice. E como uma visita despropositada é sempre mais benéfica - ao menos para quem visita, deixei-me levar pelas letras tortas e frases inacabadas de "Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres".

É claro, vão pregar os críticos, que no dizer do título já está a escolha pelo tema. Ou se lê (e se vive) que é um livro sobre a aprendizagem, ou então se percebe uma estória sobre os prazeres. Ou se toma o lugar de Ulisses, ou mais bem se está com Lóri.

E não é que Lóri vai dizer-se "eu"? Será uma intimação (ou seria, antes, uma intimidação)?

Identificado - por motívos óbvios de "lugar de fala" e de "deformacão profissional" - com Ulisses, a leitura foi uma vertigem - no melhor estilo Hitchcock - para dentro do que poderia ser "o ponto de vista do Outro". Oras querendo ser Lóri, oras só dando conta de ser Ulisses, oras sendo, simplesmente sendo, "eu".

E me deparei novamente com Clarice. E entendi (ou nem bem comecei a entender?) que as coisas têm hora. Hora como Kairós. E então me chega esse fragmento intitulado "Temperamento impulsivo" - em parte autobiográfico, em parte um trecho de uma crônica - que me revela como e porquê essa aproximação (só) no tempo do agora se deu:

"Sou o que se chama de pessoa impulsiva. Como descrever? Acho que assim: vem-me uma idéia ou um sentimento e eu, em vez de refletir sobre o que me veio, ajo quase que imediatamente. O resultado tem sido meio a meio: às vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham, às vezes erro completamente, o que prova que não se tratava de intuição, mas de simples infantilidade.
Trata-se de saber se devo prosseguir nos meus impulsos. E até que ponto posso controlá-los. [...] Deverei continuar a acertar e a errar, aceitando os resultados resignadamente? Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta? E também tenho medo de tornar-me adulta demais: eu perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil, do que tantas vezes é uma alegria pura. Vou pensar no assunto. E certamente o resultado ainda virá sob a forma de um impulso. Não sou madura bastante ainda. Ou nunca serei".

Assim que terminei o tal do livro, comecei logo outro (pra não dar tempo de "lembrar" do anterior?), que se chama "Sob a Sombra de Saturno: a Ferida e a Cura dos Homens". Ganhei quando fazia exatamente 29 anos e 9 meses. Ou seja, a 3 meses dos 30 anos. Simbólico? Bem, é um livro junguiano...me pareceu adequado.

O caso é que essa impulsividade, posivelmente equivalente a um comportamento infantil (ou pouco maduro), é a temática da vez. E de um outro post talvez...

Crédito da imagem: Orlando Pedroso.